“A entrevista”
por Alexandre Peralta
- Nome?
- Ana Manuela Azevedo Cunha Almeida de Albuquerque Ribeiro.
- Um minuto só que acabou a tinta.
- Eu espero.
- Pronto… Idade?
- Não digo.
- Sexo?
- Obrigada.
- Cidade?
- Prefiro o campo.
- Vinho?
- Não, é mancha de batom mesmo.
- Filme?
- Ah, tem um que é muito bom…
- Ator?
- Rupert Everett.
- Atriz?
- Rupert Everett.
- Livro?
- Pode ser revista?
- Sim. Qual?
- As com fotos.
- Música?
- Essa que está tocando. É Bach, não é?
- Toquinho, senhora.
- Poxa, eu sabia…
- Roupa?
- Comprei esse vestidinho ontem, gosta?
- Cheiro?
- NÃO FUI EU.
- Sonho?
- Parei com doce.
- Lazer?
- Eu me divirto com pouco. Quer me ver feliz? Um Nasi-Goreng no Amandari de Bali enquanto o sol se põe. Pronto.
- Melhor viagem?
- Foi num dia em que eu misturei Dom Perignon com lança-perfumes e aí… bom, é melhor deixar isso pra lá.
- Esporte?
- Ai, eu vou pular.
- É hipismo?
- Não. Os radicais. A começar por Ping-Pong.
- Uma comida inesquecível?
- O senhor me respeita!!!
- Estação do ano?
- A que estiver liquidando.
- Muito bem. Obrigado.
- Era só isso?
- Só, sim, senhora.
- Vai sair aonde?
- Desculpe?
- Vai sair em que revista?
- Em revista nenhuma, senhora. Esta é a ficha do hotel. O quarto da senhora é o 512. Aqui estão as chaves. Eu vou chamar o carregador para levar as suas bagagens.
Era difícil encontrar um hotel que fizesse tantas perguntas. Mas pode ter certeza que é fácil achar alguém querendo respondê-las.
- Se tiver que completar com mais alguma informação, o senhor pode me telefonar. É só discar o ramal do quarto.
- Por ali, senhora. À direita tem o elevador.
- E, se precisar de fotos…
- Já temos a do passaporte.
Era um hotel cheio de ilustres.